Rota Caminhos da Agroecologia · Comercialização

Bocaina recebe Espaço da Agricultura Familiar e Cultura – Feira de Roças e Quintais

No Centro Social da Bocaina, em Vila Bela da Santíssima Trindade (MT), famílias agricultoras levaram banana, laranja, limão, abóbora, batata-doce, ovos, queijo, mel e castanha de cumbaru para a feira da Rota Caminhos da Agroecologia, que teve ainda laço comprido, balé, quadrilha e tambores.

Na sexta-feira, 18 de setembro de 2026, o Centro Social da Bocaina, na zona rural de Vila Bela da Santíssima Trindade (MT), passou o dia se preparando para a feira. A equipe do CTA chegou ainda pela manhã para montar a estrutura junto com a comunidade: a faixa da Rota foi estendida, as mesas foram forradas e a cozinha do centro social começou a funcionar. A partir das 16h, as bancas abriram, e a feira seguiu noite adentro com a programação cultural preparada pelos moradores.

O evento foi o Espaço da Agricultura Familiar e Cultura — Feira de Roças e Quintais, atividade da Rota Caminhos da Agroecologia. A organização local ficou com a Associação Nossa Senhora Aparecida, que reúne as famílias agricultoras da Gleba Bocaina. Foi a segunda feira do calendário 2026 da Rota, uma semana depois da edição no Assentamento Roseli Nunes, em Mirassol d'Oeste.

Centro Social da Bocaina com as bancas da feira montadas sob a cobertura e mesas no pátio
O Centro Social da Bocaina com as bancas montadas para a feira.
Quando e onde

18 de setembro de 2026

Centro Social da Bocaina, Gleba Bocaina, Vila Bela da Santíssima Trindade (MT), a partir das 16h e até a noite.

Quem organizou

A associação e a Rota

Organização local da Associação Nossa Senhora Aparecida. O CTA, que coordena a Rota Caminhos da Agroecologia, mobilizou a comunidade e registrou as vendas.

A comunidade

Frutas e quintais

28 sócios, 19 deles mulheres. A fruticultura é a principal atividade, com armazenamento coletivo e produção planejada em reuniões mensais.

Uma comunidade de frutas e quintais

A Bocaina fica no sul do município de Vila Bela da Santíssima Trindade, a primeira capital de Mato Grosso, perto da fronteira com a Bolívia. O caminho até a comunidade cruza campos alagáveis e manchas de mata. Naquela manhã, cabeças-secas, uma garça e um colhereiro procuravam comida na beira da água, e no terreno do centro social uma arara-canindé entrava e saía do oco de um tronco de palmeira.

Dois cabeças-secas, uma garça-branca e um colhereiro rosado no campo alagado a caminho da Bocaina
Cabeças-secas, garça e colhereiro no caminho para a comunidade.
Arara-canindé azul e amarela no alto de um tronco de palmeira oco, no terreno do centro social
Arara-canindé no tronco de palmeira ao lado do centro social.

A associação da comunidade, a Associação Nossa Senhora Aparecida, tem 28 sócios, 19 deles mulheres, segundo o diagnóstico feito em 2026 pelo projeto Terra Nutre. A fruticultura é a principal atividade. As famílias planejam a produção de frutas em reuniões mensais, registradas em ata, e mantêm um ponto de armazenamento coletivo. Parte das frutas segue para a produção de polpa.

Essa organização apareceu no dia da feira. Levar a feira para o centro social permitiu que as famílias vendessem perto de casa, sem precisar viajar até a cidade, e que o dinheiro das vendas ficasse na própria Bocaina.

O que chegou às bancas

Fruta não faltou. Teve banana em cacho e em penca, laranja, limão e coco, ao lado de abóbora, batata-doce, ovos caipiras, urucum e queijo. Os preços estavam escritos à mão em cartazes presos às mesas: abóbora e laranja a R$ 4 o quilo, limão e batata a R$ 5, a dúzia de ovos a R$ 20, o coco a R$ 4 a unidade.

Batatas-doces graúdas, limões, melancia e saquinhos de pimenta sobre a toalha da banca
Batata-doce, limão e pimenta dos quintais.
Banca com abóboras e mandioca e cartaz escrito à mão com os preços de abóbora, laranja, limão, batata, ovos, coco e urucum
Preços escritos à mão em uma das bancas.

Teve também comida feita na hora e quitanda de casa: espetinho e frango caipira, carneiro, porco e linguiça, salgados, bolo de mandioca, bolo de arroz, rosca, doce de mamão, canjica, suco natural, picolé e açaí servido no copo, com banana, leite em pó e leite condensado. Uma das bancas vendia até carvão.

A banca do CTA/Coopervales levou à feira produtos da marca Sabor dos Vales, como castanha de cumbaru e mel. Na mesa, ao lado dos produtos, ficavam a calculadora e a folha de controle de caixa que a Rota usa para registrar cada venda.

Banca do CTA/Coopervales com pacotes de castanha de cumbaru e garrafas de mel Sabor dos Vales, calculadora e folha de controle de caixa
Castanha de cumbaru e mel Sabor dos Vales na banca do CTA/Coopervales.

A escola e a história da comunidade

A Escola Monteiro Lobato montou uma barraca própria, enfeitada com balões azuis e amarelos. Além de chicha de milho, bolo de arroz, queijo e doces, a escola expôs a receita do bolo de arroz escrita em papel pardo, passo a passo, do arroz deixado de molho na véspera até o forno. Duas maquetes chamavam a atenção de quem passava: uma mostrava a Bocaina antiga; a outra, a Bocaina de hoje.

Maquete da Bocaina antiga, com casinhas de barro e árvores, e plaquinha escrita Bocaina Antiga
A maquete da Bocaina antiga.
Maquete da Bocaina atual, com ruas, casas e prédios, e plaquinha escrita Bocaina Atual
E a maquete da Bocaina atual.

O papel do CTA nas feiras e na comunidade

A feira da Bocaina é a ponta de um trabalho bem mais longo. O CTA coordena a Rota Caminhos da Agroecologia, criada em 2018 para enfrentar um gargalo antigo da agricultura familiar: vender o que se produz. Nas feiras, a equipe do CTA mobiliza as comunidades, organiza a estrutura junto com as associações locais e registra as vendas de cada banca. É esse controle que mostra, em números, quanto da produção virou renda para as famílias.

Na parede de um dos prédios do centro social, a placa do projeto Quintais Produtivos registra outra frente desse trabalho: a parceria entre a Associação Nossa Senhora Aparecida e o CTA, com apoio do PPP-ECOS, programa de pequenos projetos ecossociais coordenado pelo ISPN. Os quintais produtivos são as áreas em volta da casa onde as famílias plantam frutas, hortaliças e plantas medicinais e criam pequenos animais, quase sempre sob o cuidado das mulheres.

Placa do projeto Quintais Produtivos da Associação Nossa Senhora Aparecida e do CTA, com as logos do PPP-ECOS e do ISPN, na parede do centro social
A placa do projeto Quintais Produtivos no Centro Social da Bocaina.

A Rota fecha o ciclo com a coleta: a produção é recolhida nas comunidades e levada até os pontos de venda e os mercados institucionais, como a alimentação escolar. Na fase atual, a Rota Caminhos da Agroecologia II — Garantindo os direitos de Povos e Comunidades Tradicionais trabalha para que agricultores familiares e povos tradicionais vendam para o PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar), com formação, assessoria técnica e estratégias de comercialização. O CTA também atua no projeto Terra Nutre, executado pelo ICV com apoio do Fundo Amazônia, cujo diagnóstico de 2026 incluiu a associação da Bocaina.

Nas mesas, quem passava podia levar o folheto da Rota e um material sobre o SISBI, o sistema de inspeção de produtos de origem animal, que explica como identificar um alimento seguro.

Laço, falas, balé e tambores

A programação divulgada pela comunidade incluía quadrilha e dança regional da Bocaina, apresentação de poemas, prova de laço comprido e balé. No fim da tarde, enquanto as bancas atendiam, o campo de futebol virou pista para o laço: meninos e adultos treinavam o arremesso num bezerro de mentira armado no gramado.

Homem e meninos com laços no campo de futebol da Bocaina, treinando o arremesso num bezerro de mentira
Treino de laço comprido no campo da comunidade.

Ao anoitecer, vieram as falas de abertura no salão do centro social. Vilmon Alves Ferreira, presidente do CTA, falou ao lado de lideranças da comunidade e de professoras da escola.

Professora fala ao microfone ao lado de Vilmon Alves Ferreira, presidente do CTA, no salão do Centro Social da Bocaina
Falas de abertura no salão do centro social, com o presidente do CTA, Vilmon Alves Ferreira.

Depois, a programação cultural ocupou o salão: apresentação de balé das meninas, quadrilha das crianças e a dança regional da Bocaina, puxada por tocadores de caixa e tambor. A noite terminou com a comunidade dançando no salão.

Meninas de collant rosa apresentam balé no salão do Centro Social da Bocaina
A apresentação de balé das meninas.
Tocadores de caixa e tambor animam a dança regional da Bocaina à noite
Tocadores de caixa e tambor na dança regional da Bocaina.
Equipe do CTA reunida em foto no Centro Social da Bocaina, com Vilmon Alves Ferreira, presidente do CTA, segurando a sacola do CTA
Equipe do CTA no Centro Social da Bocaina.

A Rota segue

A feira da Bocaina foi a segunda do calendário 2026 da Rota Caminhos da Agroecologia, depois do Assentamento Roseli Nunes, em Mirassol d'Oeste (11 de setembro). Em 9 de outubro, foi a vez da Aldeia Fazendinha, no Portal do Encantado, em Porto Esperidião. As próximas datas previstas são o ENCAES, na Unemat, em Cáceres, nos dias 28, 29 e 30 de outubro, e Silvio Rodrigues, em Mirassol d'Oeste, em 6 de novembro.

Galeria de fotos

O dia na Bocaina

Realização
Rota Caminhos da Agroecologia CTA - Centro de Tecnologia Alternativa
Associação Nossa Senhora Aparecida - Gleba Bocaina, Vila Bela da Santíssima Trindade (MT)
Apoio
WWF-Brasil GEF, Programa de Pequenos Projetos Ecossociais (SGP), PNUD, ISPN e Fundo Ecos
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