35 anos de história, agroecologia e organização territorial.
A história do CTA não começa em sua fundação formal. Ela está ligada à ocupação do Vale do Guaporé, às lutas pela terra e à construção coletiva de alternativas para as famílias do campo.
O Vale do Guaporé, no sudoeste de Mato Grosso, recebeu intensos fluxos migratórios entre as décadas de 1960 e 1980. No início dos anos 1990, já eram quase seis mil famílias assentadas ou em regularização fundiária — enfrentando estradas precárias, ausência de assistência técnica, dificuldade de comercialização e queda de fertilidade dos solos.
Diante da crise da agricultura familiar e do avanço da pecuarização, lideranças e equipe técnica compreenderam que não bastava garantir o acesso à terra: era preciso criar condições para que as famílias permanecessem nela. Dessa convergência nasceu o Centro de Tecnologia Alternativa.
Da origem à consolidação como referência agroecológica.
As raízes organizativas
A Associação de Apoio às Comunidades Carentes de Mato Grosso (AACCMT) inicia o trabalho de educação popular, organização social e formação de lideranças nas comunidades rurais da região.
Chegada da FASE-MT
A FASE passa a desenvolver diagnósticos participativos, cursos e capacitações junto às famílias, identificando os problemas da agricultura familiar e ajudando a formular a ideia do CTA.
Movimento de União dos Lavradores (MUL)
O MUL articula política e socialmente as comunidades do Vale do Guaporé. É no interior do movimento que amadurece a necessidade de criar instrumentos capazes de fortalecer economicamente as famílias.
A construção da sede
Em uma área de seis alqueires próxima a Pontes e Lacerda, ergue-se o centro de formação: auditório, dormitórios, cozinha, refeitório, biblioteca e áreas de experimentação agrícola.
O nascimento histórico do CTA
Inaugura-se o Centro de Formação, cogerido pela equipe da FASE-MT e pela coordenação do MUL. Por já existir e funcionar em 1991, este é considerado o marco fundacional histórico — base da celebração dos 35 anos em 2026.
Central de Associações
Constitui-se a Central de Associações, reunindo 34 organizações comunitárias de vários municípios do Vale do Guaporé — fruto do mesmo trabalho educativo e organizativo de base que deu origem ao CTA.
Criação da ACTA
Formaliza-se a Associação do Centro de Tecnologia Alternativa, reunindo agricultoras, agricultores, equipe técnica e lideranças, em meio aos debates da ECO-92, do FORMAD-MT e da Rede AS-PTA. A organização ganha estrutura própria para celebrar convênios e executar projetos.
Projetos Demonstrativos e SAFs
Surgem os Projetos Demonstrativos, os primeiros Sistemas Agroflorestais (com 15 famílias pioneiras), os Quintais Produtivos e a apicultura como estratégia de transição agroecológica.
ATER em assentamentos
Parcerias com Empaer, Indea e Incra ampliam o alcance das ações em assentamentos de Pontes e Lacerda. Na mesma fase, o Projeto Resistência III, com recursos do PADIC/PRODEAGRO, fortalece a capacidade operacional da organização.
Credenciamento em ATER
O CTA torna-se prestador de serviços de assistência técnica e se credencia junto ao CONDRAF e ao CEDRS para a ATER na agricultura familiar.
Agroecologia como estratégia territorial
A atuação se amplia para povos e comunidades tradicionais e a agroecologia passa a integrar segurança alimentar, restauração ambiental, comercialização e fortalecimento das mulheres e da juventude.
Rota Caminhos da Agroecologia
Nasce a rota de comercialização que conecta agricultoras, agricultores, comunidades tradicionais e o público consumidor urbano — tornando-se referência estadual na ideia de "comida de verdade".
Escala territorial
Projetos como Semeando Nossos Biomas (REM Mato Grosso), Reflorestar e o ENAFES levam a atuação aos biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal, sem perder o vínculo com as comunidades.
Projeto Terra Nutre
No âmbito do Fundo Amazônia e da iniciativa Amazônia na Escola, o CTA integra o consórcio que fortalece a produção da agricultura familiar para a alimentação escolar em Mato Grosso.
35 anos de trajetória
O CTA celebra 35 anos como patrimônio social, histórico e institucional do Vale do Guaporé, reafirmando o compromisso com a agricultura familiar e a agroecologia.

Do sítio modelo às propriedades das famílias.
O sonho inicial era transformar a própria sede em um grande sítio modelo da agricultura familiar: casa do morador, horta, criações, roças, viveiro e agrofloresta. A prática, porém, ensinou outra coisa — um centro de formação, com cursos, visitas e manutenção constante, vive uma realidade diferente da rotina de uma família agricultora.
Dessa avaliação crítica nasceu a decisão que marcou toda a trajetória posterior: os experimentos passaram a ser implantados diretamente nos lotes das famílias que aceitassem participar dos projetos, com compromissos combinados em troca de assistência técnica, insumos e equipamentos. A memória desse período guarda também o primeiro casal morador do CTA, Agrício e Cina, que cuidava do centro enquanto criava as filhas ali.

Centro de Formação Mitio Kaku
A sede do CTA é identificada como Centro de Formação Mitio Kaku, homenagem a uma figura histórica vinculada às origens da organização. Resgatar essa memória é uma das principais agendas de pesquisa histórica da instituição.
Imagens da nossa sede e da nossa caminhada.





