Ronaldo Adriano Faria, diretor do CTA, abre os números sem drama: R$ 89.997,40 movimentados, seis famílias agricultoras, e que teve a participação direta de 3 mulheres sendo a proponente do projeto de venda, 8.469 kg de alimentos entregues ao longo de um ano. Mas o que fica na cabeça de quem esteve dentro do projeto não são os números. É uma mãe mandando mensagem perguntando o que o filho está comendo na escola. Quando o cardápio mudou, esse comportamento sumiu.
Isso foi o que o Programa de Aquisição de Alimentos, da Companhia Nacional de Abastecimento CONAB SUREG MT, na modalidade doação simultânea em parceria com o CTA (Centro de Tecnologia Alternativa), fez na APAE de Pontes e Lacerda.
O projeto que quase não chegou
O Projeto foi inscrito pelo CTA em 2023, originalmente pensado para uma parceria com a Secretaria de Assistência Social do município. Na virada de gestão, a secretaria recuou. O CTA foi buscar outra porta.
Fomos muito bem recebidos.
Ronaldo Adriano Faria, diretor do CTA
A APAE topou. A modalidade usada foi a doação simultânea: seis famílias agricultoras da região produziam, vendiam à CONAB via PAA, e os alimentos eram doados diretamente à instituição. Wagner, hoje diretor da APAE, e pertencente a instituição há mais de dez anos, lembra bem como funcionava na prática:
Toda terça-feira tinha que receber uma demanda. A gente passava a lista do que estava precisando, eles providenciavam e mandavam pra gente.
Wagner, diretor da APAE
104 alunos, dois turnos
São 104 matriculados. De manhã, das sete e meia às onze e meia, os alunos tomam café da manhã e almoçam. À tarde, chegam a uma hora, têm dois lanches e vão embora às cinco. Alimentação o dia inteiro, dois turnos.
O que tinha antes do projeto?
A gente sempre teve arroz, feijão e carne. Sempre teve. Mas uma verdura, um legume, às vezes tinha, às vezes não. Não são coisas pontuais como foi o projeto.
Wagner
Com a parceria, vieram as polpas de fruta, os legumes e a variedade. O suco no almoço passou a ser rotina. Para Wagner, é exatamente esse tipo de coisa que marca a diferença de um projeto assim:
No almoço sempre tem o suco agora. Não era uma coisa que tinha antes. Entrou no dia a dia. Você não quer que vá embora quando o projeto acabar.
Wagner
As famílias perceberam a diferença. Wagner conta que pais passaram a mandar mensagem.
Os alunos não são muito de falar. Mas as famílias, sim. Já teve caso de aluno chegar em casa e não ter almoçado porque era só arroz, feijão e carne. Hoje os pais mandam mensagem perguntando o que eles estão comendo.
Wagner
O tio que fornecia banana
Wagner fala do projeto como gestor. Mas tem um detalhe pessoal que sai quando ele conta: um tio participou como fornecedor durante toda a vigência. Banana, toda semana.
Eu conheço o trabalho. São produtos produzidos aqui na nossa região. Tanto é importante pra gente quanto pro produtor. É uma fonte de renda pra agricultura familiar, e atende a gente enquanto instituição.
Wagner
Essa proximidade entre quem produz e quem recebe é o que Ronaldo chama de duplo efeito do PAA. O dinheiro que entrou no bolso dos agricultores não saiu do município. Ficou nas lojas, nos mercados, nos fornecedores de sementes e ferramentas.
É um projeto que dobra. Não são só os R$ 89.997,40.
Ronaldo Adriano Faria, diretor do CTA
No orçamento da APAE, o impacto também foi direto. A instituição recebe um convênio mensal de R$ 60 mil da prefeitura para folha de pagamento, alimentação e manutenção do prédio. Com o projeto, parte do que antes ia para comprar alimentos ficou livre para outras necessidades.
Quando o projeto veio, a gente deixou de utilizar parte desse recurso, porque a gente precisava comprar muita coisa. Desafogou uma outra parte do convênio também. Foi muito bom pra instituição.
Wagner
A recomendação de quem recebeu
A pergunta que encerrou a conversa foi direta: o que você diria para outras instituições que ainda não conhecem esse tipo de projeto?
Wagner não pensou muito.
Procurem o Ronaldo, o CTA. Tentem ver se tem algum projeto em aberto que possa cadastrar a instituição. Para nós aqui foi de grande valia.
Wagner, diretor da APAE
O CTA segue aberto a novas parcerias com instituições que atendem populações em situação de vulnerabilidade, atuando como facilitador, conectando famílias agricultoras da região com quem precisa do alimento.















