O CTA — Centro de Tecnologia Alternativa comunica com pesar o falecimento de Roberto Carlos Nambikuara, ocorrido na manhã desta segunda-feira, 16 de junho de 2026, na Aldeia Serra Azul, no Território Indígena Nambikuara do Cerrado (MT). Tinha 67 anos.
Parceiro do CTA ao longo de muitos anos, Roberto Carlos participou dos projetos desenvolvidos nas Terras Indígenas da região. Nesse convívio, a equipe do CTA teve o privilégio de aprender com a sua experiência, a sua sabedoria e o compromisso que ele tinha com o seu povo.
Ele não era pajé, mas carregava o saber das cerimônias que poucas pessoas ainda guardam com essa profundidade: a flauta sagrada, o ritual da menina-moça, o pajelança, os cuidados com o cultura e os protocolos de recebimento da tradição Nambikuara. Esse conhecimento ele transmitiu aos filhos, aos netos e aos mais jovens da aldeia — sem deixar que se perdesse.
O pai de Roberto Carlos se chamava Canguru Nambikuara Halotesu, e foi guerreiro de seu tempo. A história da família se entrelaça com a memória mais longa do povo Nambikuara: conta-se que Canguru defendeu parentes de um ataque de onça, salvando quem outros não conseguiriam salvar. Roberto Carlos cresceu dentro desse legado.
Viveu por mais de quarenta anos na Aldeia Serra Azul. Construiu família ali, criou filhos e netos, esteve presente nos momentos de festa e de luto da comunidade. Segundo os seus, era difícil pensar na aldeia sem pensar nele.
Sobreviveu a um ataque de cobra e, anos depois, a um grave acidente com arma de fogo. Na segunda vez, foi a FUNASA que o levou ao hospital em Vilhena. A filha Vanilda ficou ao seu lado durante todo o internamento. Roberto Carlos voltou para a aldeia.
Familiares e parentes do povo Nambikuara se reúnem agora na Aldeia Serra Azul para a despedida segundo a tradição, que prevê um velório de até noventa dias. As aulas das crianças da aldeia foram suspensas na semana do falecimento.
O CTA se solidariza com os filhos, os netos e todos os familiares de Roberto Carlos, e com o povo Nambikuara. Que a memória do que ele construiu, ensinou e protegeu siga viva nas cerimônias, nas pessoas e no território.
