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Semear e Permanecer

Cartilha dos 35 anos do CTA · 1991–2026

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Capa. Cartilha comemorativa, 1991 a 2026. Semear e Permanecer: trinta e cinco anos de agroecologia no Vale do Guaporé. Centro de Tecnologia Alternativa – CTA, Vale do Guaporé, Mato Grosso.
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CARTILHACOMEMORATIVA CTA · CENTRO DE TECNOLOGIA ALTERNATIVA DO VALE DO GUAPORÉ · MT Trinta e cinco anos de trabalho com agricultoras e agricultores familiares, povos indígenas, quilombolas, extrativistas, pescadoras e pescadores, no sudoeste de Mato Grosso. REDAÇÃO João Ivo Puhl, historiador e sócio-fundador da associação. Autor de Transição agroecológica no sudoeste de Mato Grosso nos 35 anos de ação do CTA (2026), o estudo que é a espinha dorsal desta cartilha. Miriã Peres Spindulas, pesquisadora do PPGEdu/UNEMAT. Coautora de Materiais formativos problematizadores do CTA e de Comercialização solidária, base dos capítulos de educação popular e comercialização. OR G ANIZ AÇ ÃO, PE S QU IS A D OC U M E NTAL E E D IÇ ÃO Setor de Comunicação do CTA (Gabriel Spindulas Ferreira), com o acervo de fotos e documentos, o Estatuto de 1992 e os relatórios de campo. Colaboração de Vilmon Alves Ferreira, da Diretoria do CTA, na memória de dados e informações da parte histórica. C OM O C ITAR E S TA PU B LIC AÇ ÃO CENTRO DE TECNOLOGIA ALTERNATIVA DO VALE DO GUAPORÉ. Semear e Permanecer: 35 anos do CTA, 1991 a 2026. Redação de João Ivo Puhl e Miriã Peres Spindulas. Pontes e Lacerda: CTA, 2026. SEDE BR-174b, Km 05, Comunidade do Cataco, zona rural de Pontes e Lacerda, Mato Grosso. 35 3 5 A NOS DO CTA 2
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ÍNDICE ANTESDECOMEÇAR Siglas usadas nesta cartilha 4 Uma história que começa na terra 5 Por que guardar esta história 6 Trinta e cinco anos em quatro tempos 7 O trabalho em números 8 Onde o trabalho acontece 9 OSCAPÍTULOS 01 As origens o vale, a crise e a decisão de ficar 10 02 Educação popular o papel que ensinou a organizar 14 03 O que nos move a missão e os compromissos 15 04 O jeito CTA de trabalhar agroflorestas, quintais, mulheres, abelhas 17 05 Comida de verdade a Rota, as organizações, o ENAFES e a Coopervales 21 06 Povos e territórios quem vive e produz nos três biomas 27 07 Os povos originários Chiquitanos e Nambikwara 28 08 Projetos em campo Semeando, Reflorestar e Terra Nutre 33 09 As novas gerações a escola no centro de formação 36 10 Consciência agroecológica cuidar hoje para ter amanhã 37 11 Quem vai continuar a juventude e o futuro da roça 38 12 Vozes dos 35 anos quem construiu esta história 40 13 Muitas mãos quem caminhou junto e quem bancou 42 PARAFECHAR Em memória 44 O que vem pela frente 45 Fontes 46 Ficha técnica 47 35 ÍNDICE 3
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ANTESDECOMEÇAR SIGLAS USADAS NESTA CARTILHA APAE Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais ASCCMT Associação de Solidariedade às Comunidades Carentes de Mato Grosso ATER Assistência Técnica e Extensão Rural BNDES Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social CEDRS Conselho Estadual de Desenvolvimento Rural Sustentável CONAB Companhia Nacional de Abastecimento CONDRAF Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário CPT Comissão Pastoral da Terra CTA Centro de Tecnologia Alternativa do Vale do Guaporé Empaer Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural ENAFES Escritório de negócios da agricultura familiar criado pelo CTA FASE Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional FNDE Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FORMAD Fórum Mato-grossense de Meio Ambiente e Desenvolvimento FUNBIO Fundo Brasileiro para a Biodiversidade GIAS Grupo de Intercâmbio em Agroecologia ICV Instituto Centro de Vida Incra Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária Indea Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso ISA Instituto Socioambiental MDA Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar MDS Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome MMA Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima MUL Movimento de União dos Lavradores do Vale do Guaporé PAA Programa de Aquisição de Alimentos PNAE Programa Nacional de Alimentação Escolar PPGEdu Programa de Pós-Graduação em Educação da UNEMAT REM MT Programa REDD para Pioneiros em Mato Grosso SAF Sistema agroflorestal UFMT Universidade Federal de Mato Grosso UNEMAT Universidade do Estado de Mato Grosso As organizações da Rota Caminhos da Agroecologia e seus municípios estão relacionados na página 24. 35 SIGLA S 4
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ABERTURA UMA HISTÓRIA QUE COMEÇA NA TERRA A história do CTA começa antes de 1991. Começa com as famílias que chegaram ao Vale do Guaporé em busca de terra e que, quando a lavoura deixou de dar renda, decidiram ficar e se organizar. De lá para cá o CTA virou lugar de curso, de experiência no lote e de encontro. Trabalha com agricultoras e agricultores familiares, povos indígenas, quilombolas, extrativistas, pescadoras e pescadores, de Comodoro a Poconé, na Amazônia, no Cerrado e no Pantanal. "Muitos assentados, organizados no MUL, decidiram entre resistir, permanecer e enfrentar os problemas ou desistir e migrar em busca de terras nas novas fronteiras agrícolas que avançavam sobre a floresta amazônica." JOÃO IVO PUHL · ESTUD O D OS 35 ANOS, 2026 Feira da ARPA no Assentamento Roseli Nunes, setembro de 2026. É com gente assim que o CTA trabalha há trinta e cinco anos. Foto: Comunicação do CTA. 35 A B ERTURA 5
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MEMÓRIAHISTÓRICA POR QUE GUARDAR ESTA HISTÓRIA Em trinta e cinco anos aconteceu muita coisa, mas pouca ficou no papel. O resto está na cabeça de quem viveu, em foto de gaveta e em caderno de campo espalhado. Quem ajudou a levantar a sede já está de idade, e alguns saíram da região. Os papéis dos primeiros projetos mudaram tanto de sala que ninguém sabe direito onde foram parar. Se não juntar agora, daqui a dez anos sobra lembrança solta e nenhum documento. Esta cartilha é um passo nesse trabalho: reúne documentos, fotografias e a memória de quem viveu essa história. "Os materiais, em formato de revistas informativas e textos explicativos, foram fundamentais para socializar saberes, formar identidades culturais e fortalecer a pedagogia crítica." MIRIÃ PERES SPIND ULAS · PPGED U/UNEMAT Seminário no Centro de Formação do CTA, em Pontes e Lacerda. De encontro assim saiu muito papel que precisa ser reunido. 35 MEMÓRIA HISTÓRICA 6
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ATRAJETÓRIA TRINTA E CINCO ANOS EM QUATRO TEMPOS 1985 a 1992 ORIGENS Entre 1985 e 1986 a ASCCMT e a CPT visitam o vale. Em janeiro de 1987 começa o programa de educação popular da FASE-MT. Entre 1989 e 1991 a sede é construída e o prédio do Centro de Formação é inaugurado em maio de 1991. Em maio de 1992 nasce a Associação do CTA. 1992 a 2014 CONSOLID AÇÃO Vêm os Projetos Demonstrativos, as primeiras agroflorestas, os quintais produtivos, a criação de abelha e um jeito próprio de fazer ATER. De 2004 em diante, junto com Empaer, Indea e Incra, a assistência técnica chega aos assentamentos de Pontes e Lacerda. 2015 a 2025 TERRITÓRIO O trabalho chega aos povos indígenas e às comunidades tradicionais. Em 2018 nasce a Rota Caminhos da Agroecologia. Vêm o Semeando Nossos Biomas, o Reflorestar e, em 2025, o Terra Nutre, que leva a comida das famílias para a alimentação escolar. 2026 UM OLHAR PARA A FRENTE Aos trinta e cinco anos a pergunta é outra. Não é mais só como plantar sem veneno. É quem vai continuar. A agroecologia precisa chegar até os jovens do campo. O Centro de Formação Mitio Kaku, levantado entre 1989 e 1991 em seis alqueires. 35 A TRA JETÓRIA 7
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OCTAHOJE O TRABALHO EM NÚMEROS Número não conta história sozinho. Mas serve para mostrar o tamanho do que foi feito e para cobrar o que ainda falta. 35 anos de trabalho, de 1991 a 2026 1.200 famílias atendidas hoje com ATER e fomento 3 biomas: Amazônia, Cerrado e Pantanal 2008 ano em que o CTA passou a ser credenciado para prestar ATER Fonte: CTA, site institucional, 2026. O credenciamento é junto ao CONDRAF e ao CEDRS. As organizações da agricultura familiar diagnóstico do Terra Nutre, 2025 e 2026 13 organizações, em 13 municípios 1.030 famílias associadas a elas 438 mulheres entre os sócios dessas 13 organizações 42% dos sócios dessas organizações são mulheres 48,7% da receita dessas organizações vem do PNAE Um contrato, por dentro: o PAA com a APAE Pontes e Lacerda, 2026 6 famílias agricultoras fornecendo 104 alunos servidos 8.469 quilos de alimento entregues R$ 89.997 movimentados 50% de mulheres entre quem produziu Fontes: Diagnóstico Integrado do Projeto Terra Nutre, CTA e ICV, 2025 e 2026. · CTA, Toda terça- feira: como o PAA conectou seis famílias agricultoras com 104 alunos da APAE, 26 de junho de 2026. 35 O CTA HOJE 8
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OCTAHOJE ONDE O TRABALHO ACONTECE A casa fica em Pontes e Lacerda. O trabalho, não. Ele desce o vale, atravessa a Grande Cáceres e chega ao Pantanal e à baixada de Cuiabá, onde estão as organizações da rede. Municípios onde estão as organizações da rede Sede: Centro de Formação Mitio Kaku, Pontes e Lacerda Araputanga · Cáceres · Comodoro · Figueirópolis d'Oeste · Mirassol d'Oeste · Nossa Senhora do Livramento · Nova Lacerda · Poconé · Pontes e Lacerda · Porto Esperidião · São José dos Quatro Marcos · Vila Bela da Santíssima Trindade Mapa desenhado sobre a malha municipal do IBGE. Municípios marcados a partir da relação de organizações do mapa de atuação do CTA, 2026. O CTA é credenciado para prestar ATER em todo o estado de Mato Grosso: o mapa mostra onde estão as organizações acompanhadas, não o limite da atuação. 35 O CTA HOJE 9
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CAPÍTULO 01 O VALE, A CRISE E A DECISÃO DE FICAR Entre 1960 e 1980 chegou muita família do Sul, do Sudeste e do Nordeste procurando terra no Vale do Guaporé. Ocuparam as glebas como posseiros e, aos poucos, o INCRA foi regularizando. A terra elas conseguiram. O resto não. Estrada ruim, mercado longe e quase nenhuma assistência técnica. No fim dos anos 1980 a terra cansou, o preço do arroz e do feijão caiu, e cafezal e bananal foram virando pasto. Seis mil famílias assentadas ou sendo regularizadas no Vale do Guaporé no começo dos anos 1990. 35 CA PÍTULO 01 · A S ORIGENS 10
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CAPÍTULO 01 ANTES DA SEDE, O CAMINHO Entre 1985 e 1986, a ASCCMT (Associação de Solidariedade às Comunidades Carentes de Mato Grosso) e a CPT (Comissão Pastoral da Terra), as duas com sede em Cuiabá, começaram a visitar o Vale do Guaporé. Conversaram com a Diocese de Cáceres, do bispo Dom Máximo Biennès, e com a paróquia de Pontes e Lacerda, do padre Luiz Tanguy. Com o aval da Igreja, queriam conhecer de perto a agricultura familiar e os conflitos de terra da região. Essas visitas prepararam a chegada da FASE, que inaugurou sua primeira sede em Mato Grosso em janeiro de 1987, em Vila Bela da Santíssima Trindade. No mesmo mês, a equipe da ASCCMT, com Murilo Pinto da Silva, Vilmon Alves Ferreira, Cláudia Calório e Carmela Pezzuti, passou a trabalhar como educadora popular no Programa Regional da FASE Mato Grosso. Em 1988 veio a compra do sítio onde hoje fica o CTA, negociada por Murilo Pinto da Silva com o dono da terra, Zé de Abrão. Depois vieram a roça nova e as obras da sede, tudo em mutirão. "Muitas pessoas do MUL (Movimento de União dos Lavradores) participavam dos mutirões tanto na roça como na construção." JOÃO IVO PUHL · D EPOIMENTO À COMUNICAÇÃO D O CTA, 20 26 Fontes: ZART e SANTOS (org.), Educação e Sócio-Economia Solidária, Editora Unemat, 2006. · FASE, Mato Grosso comemora 50 anos da FASE. · Depoimentos de Vilmon Alves Ferreira e João Ivo Puhl ao CTA, 2026. 35 CA PÍTULO 01 · A S ORIGENS 11
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CAPÍTULO 01 UMA CASA CONSTRUÍDA POR MUITAS MÃOS A saída não foi abrir escritório. Foi fazer um lugar para aprender junto. Entre 1989 e 1991, em seis alqueires a seis quilômetros de Pontes e Lacerda, agricultores e parceiros levantaram auditório, dormitórios, cozinha, refeitório e biblioteca. O Centro abriu em maio de 1991, tocado pela FASE-MT com a coordenação do Movimento de União dos Lavradores. O cartório e o CNPJ da associação só vieram em 1992. Por isso os 35 anos contam de 1991: o centro já estava de pé. O prédio e a placa na entrada do Centro de Formação Mitio Kaku. QUEM FOI MITIO KAKU Descendente de japoneses, veio de São Paulo para Pontes e Lacerda. Foi um dos primeiros posseiros da área que virou a gleba São Domingos e, com o irmão Sérgio, conseguiu lote na Máquina Queimada, onde virou lavrador e liderança do MUL. Na construção da sede foi contratado como mestre de obras: comandou as equipes do mutirão e fez ou coordenou o serviço de pedreiro, carpinteiro, encanador e eletricista. Foi sócio-fundador. Depois da sua morte precoce, a assembleia deu o nome dele ao auditório e ao Centro de Formação. Também por decisão da assembleia, o bosque de mata nativa do CTA leva o nome de Murilo Pinto da Silva. 35 CA PÍTULO 01 · A S ORIGENS 12
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CAPÍTULO 01 O QUE SOBROU DOS PRIMEIROS ANOS Estas são as fotografias mais antigas que o CTA ainda tem. Vieram de um painel de arquivo, com as legendas escritas à mão na época. São registros raros daqueles primeiros anos. Mutirão para abertura do sítio do CTA. Assembleia do CTA, março de 1994. A data está na placa da foto. Primeira turma do curso de jovens no CTA, 1992. Visita técnica ao plantio de agrofloresta no sítio do Diá. Estagiários com o agricultor Manoel Miguel, sócio, na agrofloresta dele. A placa de madeira da sede: "C.T.A. construído pelos trabalhadores do Vale do Guaporé". 35 CA PÍTULO 01 · A S ORIGENS 13 O agricultor João Paiva conversando com estagiários.
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CAPÍTULO 02 O PAPEL QUE ENSINOU A ORGANIZAR Antes de existir sede já existia material de formação. O Movimento de União dos Lavradores e os fundadores do CTA faziam revistas e textos simples para discutir na reunião: como se organizar, como plantar, como dividir a renda. Um deles foi o boletim Cacaio, publicado de 1989 a 1995 pelo Movimento de União dos Lavradores do Vale do Guaporé, o MUL. Falava de trabalho, renda, modo de vida e produção. Caderno Agroecológico nº 1, PDAF 1999 a 2002. Depois vieram os Cadernos Agroecológicos, do MUL com a FASE-MT. O primeiro trazia o PDAF, o plano da agricultura familiar do vale, nascido num seminário de março de 1995. Muito disso foi feito escondido, no meio das ocupações e da vigilância da polícia. Na roda sentavam camponês, técnico, educador popular, padre e liderança. O jeito era conversar: começar pelo problema que a pessoa vive e achar a saída junto. "Mesmo em meio às dificuldades e conflitos, construíram uma identidade intercultural e tecnologias sociais voltadas às necessidades locais." MIRIÃ PERES SPIND ULAS · PPGED U/UNEMAT 35 CA PÍTULO 02 · EDUCA ÇÃ O POPULA R 14
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CAPÍTULO 03 A MISSÃO E OS TRÊS PRINCÍPIOS O CTA escreveu sua missão com todas as letras no relatório de atividades de 2016, apresentado à assembleia. A missão é apresentada a seguir com ajuste de concordância, preservando seu conteúdo. AMISSÃODOCTA "Colaborar no desenvolvimento e implementação de uma agricultura, adequada às condições socioeconômicas, culturais e agroecológicas, visando diminuir os problemas, sociais e ambientais causados pelas formas habituais do processo produtivo." OS TRÊS PRINCÍPIOS QUE ORIENTAM O TRABALHO 1 Agroecologia. Todo projeto do CTA busca diversificar a produção e usar os recursos naturais sem esgotá-los, para fortalecer a agricultura familiar. 2 Participação social. As ações são decididas com ampla participação, e a gestão segue os preceitos da democracia. O CTA educa e forma para isso. 3 Igualdade. Entre homens e mulheres, entre raças e entre gerações. Nas palavras do próprio documento: não importa se homem ou mulher, branco ou negro, indígena, pescador, assentado, posseiro, meeiro, sulista ou nordestino, jovem, adulto ou idoso. Fonte: CTA, Atuação do CTA: relatório de atividade realizada em 2016 e a realizar em 2017. 35 CA PÍTULO 03 · O QUE NOS MOV E 15
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P R I N C Í P I O S E C O M P R O M I SSO S O QUE NOS MOVE Quando a associação foi registrada, em 21 de maio de 1992, os objetivos foram escritos em cartório. Continuam valendo e explicam por que o CTA faz o que faz. Do estatuto, os objetivos gerais: desenvolver uma agricultura sustentável e agroecológica adequada às condições do lugar; manter um centro de demonstração de técnicas agroecológicas e de educação ambiental; contribuir com quem luta pela reforma agrária; fortalecer a vida das famílias, com atenção às mulheres, aos jovens e aos idosos; manter um centro de formação; e abrir caminhos de comercialização para a agricultura familiar. COMPROMISSOS DE QUEM SE ASSOCIA Reunidos a partir do estatuto e do estudo de João Ivo Puhl. 1 Produzir sem veneno e evitar toda forma de contaminação química. 2 Deixar o manejo que castiga a terra e usar o que serve para o lugar. 3 Participar das assembleias e das decisões da casa. 4 Exigir transparência nas contas e na administração. 5 Assumir os cargos para os quais for eleito. 6 Zelar pelo patrimônio e pelo bom nome do CTA. 7 Colaborar com as atividades e com o trabalho coletivo. 8 Participar de outras organizações da classe trabalhadora. 9 Valorizar e difundir o saber dos agricultores e agricultoras. 10 Cuidar da casa comum e de todas as formas de vida nela. 35 CA PÍTULO 03 · O QUE NOS MOV E 16
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CAPÍTULO 04 APRENDER FAZENDO, NO LOTE DA FAMÍLIA Nos Projetos Demonstrativos a técnica é testada no lote, junto com a família que toca o serviço. No começo tentaram fazer da sede um sítio modelo: casa de morador, chiqueiro, galinheiro e horta. Não deu. Faltava gente para tocar, a energia era ruim e a roda d'água quebrava justo no dia do curso. E um centro que vive recebendo visita não vive como uma família na roça. O exemplo não colava. Aí a experiência mudou de lugar. Foi para o lote de quem quis participar, em troca de assistência técnica, mudas e equipamento. "Os produtores mais curiosos e observadores avançaram muito no manejo, porque conseguiam integrar suas lavouras anuais com a agrofloresta." JOÃO IVO PUHL · ESTUD O D OS 35 ANOS, 2026 35 CA PÍTULO 04 · O JEITO CTA DE TRA B A LHA R 17
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CAPÍTULO 04 AS FAMÍLIAS QUE ABRIRAM O CAMINHO Visitas às primeiras agroflorestas. À esquerda, a placa identifica uma castanheira-do-pará. Fotos do acervo do CTA. No primeiro projeto, quinze famílias receberam e plantaram as mudas. Oito foram até o fim. Umas largaram as plantas, outras perderam a área para a seca ou para o bicho do mato, e teve quem vendesse o lote. É assim que se descobre o que aguenta e o que não aguenta. Cinco dessas famílias mantêm até hoje sistemas com bons resultados: a de Diá (Francisco Alexandre dos Santos) e Luzia Rezende, perto do CTA; as de Manoel Miguel e de João Paiva e Leontina, na Gleba Bananal; a de Manoel Prado e Maria de Lourdes, em Vila Bela; e a de Joaquim e Maria Valdeci, em Comodoro. "Constatou-se que, onde as mulheres assumiram mais os cuidados, os resultados foram mais consistentes." JOÃO IVO PUHL · ESTUD O D OS 35 ANOS 35 CA PÍTULO 04 · O JEITO CTA DE TRA B A LHA R 18
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CAPÍTULO 04 AS MULHERES E OS QUINTAIS PRODUTIVOS O quintal fica pertinho de casa. É dali que sai a comida do dia a dia. Acompanhando as primeiras agroflorestas, a equipe reparou numa coisa: onde a mulher tomava conta, a área ia melhor. Era ela que cuidava das mudas, da comida de casa e da organização do quintal. Daí nasceram os quintais produtivos: um pedaço perto de casa com horta, fruta, planta de remédio e criação miúda. Entraram em quase todo projeto depois disso. É o quintal que põe comida na mesa todo dia, e é dele que sai o dinheiro que fica na mão da mulher. 35 CA PÍTULO 04 · O JEITO CTA DE TRA B A LHA R 19
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CAPÍTULO 04 ABELHAS, CADERNO DE CAMPO E CONVERSA Florada nativa. Sem flor o ano todo e com veneno por perto, a abelha não para. A abelha entrou como renda extra e virou aula de educação ambiental. Para criar abelha precisa de flor o ano todo, mata em pé, água por perto e nada de veneno. O CTA dava a roupa de proteção, a cera e as caixas para pegar as primeiras colmeias. Na assistência técnica a regra nunca mudou: conversar com a família toda, combinar quem faz o quê, anotar no caderno de campo e voltar para ver o resultado. Anotar é o que faz a diferença. Sem caderno, ninguém lembra o que deu certo no ano passado. "Quem cria abelhas aprende a defender a natureza, porque a atividade não sobrevive sem ela." JOÃO IVO PUHL · ESTUD O D OS 35 ANOS, 2026 35 CA PÍTULO 04 · O JEITO CTA DE TRA B A LHA R 20
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CAPÍTULO 05 Feira da ARPA no Assentamento Roseli Nunes, setembro de 2026 · Foto: Comunicação do CTA Feira da ARPA no Assentamento Roseli Nunes, setembro de 2026 · Foto: Comunicação do CTA COMIDA DE VERDADE Produzir bem não garante renda. Isso os primeiros levantamentos já diziam. Faltava para quem vender, e por que preço. Resolver isso levou trinta anos e três invenções: um escritório de negócios, uma rota que liga a roça à cidade e, por último, uma cooperativa. As três nasceram dentro do CTA e hoje andam com as próprias pernas. A conta que move este capítulo: quem não vende, não fica. Sem renda, a roça não segura ninguém, e o lote acaba vendido. 35 CA PÍTULO 05 · COMIDA DE V ERDA DE 21
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CAPÍTULO 05 A ROTA CAMINHOS DA AGROECOLOGIA A Rota ganhou esse nome em 2018. Antes já era um jeito de trabalhar: reunir o que cada grupo tem para vender, montar a carga e levar. Quem organizou foi o escritório de negócios do CTA, com apoio do Fundo Amazônia. A coordenação da Rota é formada por várias organizações da agricultura familiar. Entre elas estão o CTA, em Pontes e Lacerda; a ARPA, no Assentamento Roseli Nunes, em Mirassol d'Oeste; a Agriverde, da comunidade quilombola Capão Verde, em Poconé; o Grupo de Jovens Muxirum; e a Coopervales, criada em 2022 para tocar o eixo da comercialização. A FASE-MT faz a assessoria e o acompanhamento da formação e do planejamento das ações da Rota. A oferta de todo mundo é reunida num sistema chamado Balaio. Nas palavras da própria Rota, a missão dele é "fofocar sobre onde está a produção" da rede. É por ele que se sabe quem tem o quê, e quando. O caminhão sai carregado com a produção de várias comunidades e abastece os mercados institucionais da Rota. É a mesma carga que abastece feira, cesta e alimentação escolar. Fontes: Rota Caminhos da Agroecologia, site oficial. · CTA, linha do tempo institucional. · Fundo Amazônia, projeto Cadeias de Valor da Agricultura Familiar em Mato Grosso. 35 CA PÍTULO 05 · COMIDA DE V ERDA DE 22
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CAPÍTULO 05 O TAMANHO DA ROTA Há dois levantamentos dos números da Rota, feitos em momentos diferentes. Os dois aparecem aqui, cada um com a sua data. O que a Rota informa site da Rota, janeiro de 2025 96 comunidades e assentamentos 26 organizações na rede 160 grupos produtivos 1.200 famílias envolvidas 15 municípios, de Cuiabá a Comodoro O que o CTA informou seminário, abril de 2024 90 grupos produtivos 1.270 famílias atendidas 19 municípios 200 escolas pelo PNAE, em 14 municípios 50 mil alunos alcançados As duas listas medem coisas diferentes: uma mostra a rede inteira, a outra mostra o que o CTA acompanha. Em 2022 a Rota comercializou 125 toneladas de alimento, no valor de R$ 4,2 milhões. Fontes: Rota Caminhos da Agroecologia, site oficial, atualizado em 30 de janeiro de 2025. · FASE Mato Grosso, Seminário destaca comercialização de produtos e preservação da Amazônia, abril de 2024, com dados do CTA. 35 CA PÍTULO 05 · COMIDA DE V ERDA DE 23
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CAPÍTULO 05 ORGANIZAÇÕES RELACIONADAS NO LEVANTAMENTO DE 2026 A Rota não é uma empresa com filiais. É um acordo entre associações e cooperativas que continuam donas do que produzem. Abaixo, as organizações do levantamento de 2026 e os sócios que cada uma informa. A lista não esgota a Rota. COOPERMAF Comodoro 151 Assoc. de Jovens Indígenas Nambikwaras Comodoro 65 ASPRUVAB — Vale do Bugre Araputanga 54 Acorquirim N. Sra. do Livramento 48 AMAFAP Cáceres 40 CTA Pontes e Lacerda 38 COOPERVALES Pontes e Lacerda 37 ARPEP Mirassol d'Oeste e Cáceres 31 ARPA Mirassol d'Oeste 30 AJOIMA — Jovens Indígenas Mamaindê Comodoro 30 Assoc. Morrinhos Poconé 30 Coop. de Produção Agroecológica do Sudoeste Mirassol d'Oeste e região 28 COOPERSSOL — Consumidores Solidários Cáceres 25 Assoc. Niorch Haukina Porto Esperidião e Vila Bela 23 APIC — Assoc. Indígena Chiquitana Porto Esperidião e Vila Bela 21 Assoc. N. Sra. Aparecida — Bocaina Vila Bela da SS Trindade 17 AGRIVERDE Poconé 16 Assoc. Portense de Apicultores Porto Esperidião 15 Assoc. São Manoel do Pari e Aguaçu Monjolo N. Sra. do Livramento 12 Assoc. São Pedro Figueirópolis d'Oeste 12 ASPAJO — PA São José Nova Lacerda 12 Assoc. Mãe Terra São José dos Quatro Marcos 11 Assoc. das Mulheres do Chumbo Poconé 10 Assoc. Jejum Poconé 7 Somando o que cada organização informa, chega-se a 763 sócios e sócias, que podem se repetir entre organizações. São associações de agricultura familiar, de juventude indígena, de mulheres extrativistas, de comunidades quilombolas e uma cooperativa de consumidores na cidade. Fonte: relação de grupos da Rota, compilada no mapa de atuação do CTA (2026). ARPA, AMAFAP, COOPERMAF e ASPRUVAB: diagnóstico do Terra Nutre (2025 e 2026). Em janeiro de 2025, o site da Rota informava 26 organizações (página 23). 35 CA PÍTULO 05 · COMIDA DE V ERDA DE 24
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CAPÍTULO 05 DO QUINTAL À PRATELEIRA: O ENAFES Em 2004 a Central das Associações acabou e ficou um buraco na hora de vender. O CTA foi tapando esse buraco, e a assembleia botou a comercialização como meta. Dessa caminhada o CTA criou o ENAFES, o escritório de negócios da agricultura familiar. O escritório está ligado ao projeto Semeando Amazônia Sustentável, apoiado pelo Fundo Amazônia e pelo BNDES. Foi ele que montou a Rota. Hoje toca feira, venda pela internet e no balcão, e ajuda a organizar a compra de alimento da CONAB em Mato Grosso. Foi por aí que nasceu a marca Sabor dos Vales, com rótulo e código de barras para dezesseis tipos de polpa de fruta e para o mel das famílias. Fonte: Fundo Amazônia, relatório do projeto Cadeias de Valor da Agricultura Familiar em Mato Grosso, executado pelo CTA. "Ao construir o caminho de comercialização de dentro para fora, as comunidades apropriam-se da logística e do mercado, invertendo a lógica tradicional onde o produtor é apenas um fornecedor passivo." ZART, SPIND ULAS, LEITE E SANTOS · COMERCIALIZAÇÃO SOLID ÁRIA Mel e Sabor dos Vales na feira da ARPA, Roseli Nunes, setembro de 2026. Foto: Comunicação do CTA. 35 CA PÍTULO 05 · COMIDA DE V ERDA DE 25
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CAPÍTULO 05 A COOPERVALES E A DIVISÃO DO TRABALHO Vender direito pede contrato, nota, selo sanitário e contabilidade em dia. Outro mundo, longe do curso e da luta. Por isso nasceu a Coopervales, Cooperativa de Agricultura Familiar e Economia Solidária dos Vales Mato- grossenses. A divisão ficou clara: o CTA segue com a educação, com a assistência técnica agroecológica que fortalece o eixo da produção, com a formação e com a organização dos camponeses, que é o que faz desde 1991. A cooperativa cuida da venda e dos contratos. Ela nasceu, nas palavras da própria Rota, "em função da necessidade de um instrumento qualificado para articular mercados". Como cooperativa fica mais fácil tirar selo sanitário e dar conta da papelada do orgânico. Hoje faz parte da coordenação da Rota, responde pelas feiras e leva a marca Sabor dos Vales. "A soberania alimentar e a dignidade do trabalho camponês não são concessões, mas conquistas da organização coletiva." ZART, SPIND ULAS, LEITE E SANTOS · COMERCIALIZAÇÃO SOLID ÁRIA Banana, mamão e limão na feira da ARPA, Assentamento Roseli Nunes, setembro de 2026. Foto: Comunicação do CTA. Fonte: Rota Caminhos da Agroecologia, ficha da Coopervales. 35 CA PÍTULO 05 · COMIDA DE V ERDA DE 26
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CAPÍTULO 06 POVOS E TERRITÓRIOS O pilão de farinha e a colheita no Cerrado. Modos de vida que os projetos passaram a respeitar. Nos últimos vinte anos o trabalho se abriu para povos indígenas, quilombolas, extrativistas, pescadoras e pescadores e famílias assentadas da reforma agrária. É a mesma ideia de 1991: ficar do lado de quem sempre ficou de fora. Cada projeto passou a começar pelo que o lugar é. Quem vive de pescar no Pantanal não produz como quem colhe no Cerrado, e nenhum dos dois trabalha como quem planta na Amazônia. Isso mudou o jeito de montar o trabalho. O CTA trabalha em três biomas: Amazônia, Cerrado e Pantanal. Em cada um o solo, a época de plantar e o modo de viver são diferentes. 35 CA PÍTULO 06 · POV OS E TERRITÓRIOS 27
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CAPÍTULO 07 OS POVOS ORIGINÁRIOS Antes de existir Vale do Guaporé já tinha gente aqui. O CTA chegou muito depois. Trabalhar com os povos indígenas não é projeto novo. É reconhecer quem já estava. Hoje o CTA faz assistência técnica em terra indígena de dois povos aqui do sudoeste: os Chiquitanos, em Porto Esperidião, e os Nambikwara, no cerrado de Comodoro. A regra é simples e não muda: é o CTA que vai até a aldeia. O que se planta, o que se filma e o que se publica, quem decide é a comunidade. 35 CA PÍTULO 07 · OS POV OS ORIGINÁ RIOS 28
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CAPÍTULO 07 CHIQUITANOS DO PORTAL DO ENCANTADO Aldeias Acorizal e Fazendinha. A muda do projeto entra no meio da roça da família. Na Terra Indígena Portal do Encantado, em Porto Esperidião, vivem os Chiquitanos. O trabalho do CTA ali não é de agora: já em 2016 a equipe assessorava um projeto de PAA numa aldeia do município. De 2022 a 2024, essas famílias foram atendidas pelo projeto Reflorestar, com apoio da HEKS/EPER Brasil e da Misereor (página 34). Hoje o CTA segue com as mesmas 20 famílias, nas mesmas áreas das aldeias Acorizal e Fazendinha, pelas fases I e II do projeto Restauração e Agroecologia na Cabeceira do Pantanal, com o WWF-Brasil. O trabalho é ir de área em área: ver como a planta está indo, medir o caule, olhar doença e bicho, ensinar poda. Sete famílias já têm agrofloresta bem cuidada, com banana, abacaxi, mandioca, horta e nativa junto com frutífera. A seca e a formiga cortadeira levaram, em média, 60 de cada 100 mudas, sobretudo as distribuídas em 2023/24, de pouca chuva. As de 2024/25 pegaram melhor, porque choveu mais. Está tudo anotado: é assim que se aprende. Fonte: CTA, Relatório de monitoramento do Portal do Encantado, julho de 2025. Técnico: Vilmon Alves Ferreira. 35 CA PÍTULO 07 · OS POV OS ORIGINÁ RIOS 29
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CAPÍTULO 07 O QUE A ROÇA INDÍGENA GUARDA Em 2026, pelo Terra Nutre, o CTA foi de aldeia em aldeia perguntar o que cada povo planta, colhe, pesca e come. Foram 24 comunidades indígenas ouvidas, quatro delas pelo CTA. 15 roças na Fazendinha Chiquitano 26 roças em Acorizal Chiquitano 25 roças na Aldeia Davi Nambikwara 20 roças em Capitão Pedro Mamaindê Os números vieram das próprias lideranças e surpreendem quem acha que na aldeia se planta pouco. Só na Aldeia Davi são uns 50 mil pés de pequi, 60 mil de mandioca e 20 mil de mangaba, fora bacaba, buriti e cajuzinho. Em Acorizal, 50 mil pés de mandioca e 40 mil de banana da terra. Apareceu também o que já se perdeu. Na Aldeia Davi ninguém planta mais inhame, cará, feijão fava, milho fofo e amendoim: a semente acabou. Guardar semente é guardar comida. Quando perguntamos o que o projeto devia fazer primeiro, a resposta foi a mesma nas quatro aldeias: assistência técnica, água para a roça e lugar para guardar a colheita. Fonte: CTA/ICV/ISA, Diagnóstico da produção indígena do Terra Nutre, 2026. 35 CA PÍTULO 07 · OS POV OS ORIGINÁ RIOS 30
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CAPÍTULO 07 NAMBIKWARA: A FESTA QUE A JUVENTUDE TROUXE DE VOLTA Terra Indígena Nambikwara do Cerrado, Comodoro, julho de 2026. O que uma geração sabe só continua se a outra aprender. Foto: Comunicação do CTA. O povo Nambikwara do cerrado se organiza em três linhas: Kinthaulu, Central Camarare e Cargil. O CTA chegou nas aldeias pelo Terra Nutre, para tratar de roça e alimentação escolar, e encontrou uma coisa maior acontecendo: a juventude reorganizando a Festa de Pajelança, o ritual de cura e proteção que o pajé conduz. De lá para cá o trabalho anda junto. A comunicação do CTA grava só o que a comunidade autoriza, e a formação em audiovisual acontece dentro da aldeia, no celular dos próprios jovens. Todo o material gravado fica com o povo. Nada vai para fora sem a comunidade ver antes. A primeira exibição do documentário vai ser na própria aldeia, com projetor, para o povo Nambikwara. Só depois vai para a internet. 35 CA PÍTULO 07 · OS POV OS ORIGINÁ RIOS 31
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CAPÍTULO 07 A LÍNGUA, O COCAR E A ROÇA Aldeias do cerrado de Comodoro. À direita, o beiju, feito da mandioca da roça. É comida e é memória ao mesmo tempo. No documentário que está sendo gravado, cada liderança fala duas vezes: primeiro na língua nambikwara e depois em português, traduzindo a própria fala. Não é legenda nem dublagem. É a liderança levando quem assiste para dentro da língua. Esse cuidado vale para tudo. O nome do povo, das aldeias e das linhas é escrito como eles escrevem. Com a comida é igual: chicha, beiju, carne muquiada e mingau de polvilho não são só receita, são quem eles são. Levar a produção da aldeia para a alimentação escolar só faz sentido se isso for respeitado. Todo o material gravado na aldeia, vídeo, som e foto, é entregue por inteiro para a comunidade. A imagem do povo pertence ao povo. O Terra Nutre é executado pelo ICV, com o CTA, o ISA e outros parceiros. Iniciativa Amazônia na Escola: Fundo Amazônia/BNDES, FNDE, MMA, MDS e MDA. 35 CA PÍTULO 07 · OS POV OS ORIGINÁ RIOS 32
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CAPÍTULO 08 SEMEANDO NOSSOS BIOMAS Plantio novo em área de recuperação. O projeto chega em muito município sem soltar a mão de cada comunidade. Feito dentro do Programa REM Mato Grosso, o projeto fortalece a produção e a venda nos três biomas. Junta apoio à agricultura familiar e aos povos tradicionais, plantio de agrofloresta e quintal, mais lugar para vender, recuperação de área gasta e comida na mesa. O projeto respondeu a uma pergunta velha: dá para trabalhar no estado inteiro sem soltar a mão da comunidade? Deu, usando o mesmo jeito criado nos Projetos Demonstrativos, só que num território bem maior. 35 CA PÍTULO 08 · PROJETOS EM CA MPO 33
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CAPÍTULO 08 REFLORESTAR O viveiro do CTA e a área pronta para o plantio. Da semente para a muda, e da muda para o chão. O Reflorestar, nome curto do projeto Promovendo reflorestamento e agroextrativismo no Sudoeste de Mato Grosso, teve apoio da HEKS/EPER Brasil e da Misereor de 2022 a 2024. Recuperou área gasta e ajudou a tirar renda da floresta em pé: plantio em volta da nascente, muda no viveiro e agrofloresta. O viveiro está com o CTA desde o começo, quando saíram dele as mudas das primeiras agroflorestas. Hoje abastece também viveiro de comunidade, junto com a FASE-MT. Foi por esse projeto que a muda chegou às aldeias Chiquitanas do Portal do Encantado, onde vinte famílias plantam frutífera e nativa dentro da própria roça. Também levou agrofloresta para a agricultura familiar de Mirassol d'Oeste, Figueirópolis d'Oeste e Araputanga. No Portal, o trabalho segue com o WWF-Brasil (página 29). Muda entregue não é serviço acabado. A equipe volta na área para medir crescimento, olhar praga e ensinar poda. E anota tudo, porque é assim que se aprende o que pega e o que não pega em cada terra. 35 CA PÍTULO 08 · PROJETOS EM CA MPO 34
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CAPÍTULO 08 TERRA NUTRE Feira da ARPA no Assentamento Roseli Nunes, setembro de 2026. A mesma comida que chega na feira chega na alimentação escolar. Foto: Comunicação do CTA. Contratado em setembro de 2025, o Terra Nutre é o maior projeto de agora: quase 48 milhões de reais do Fundo Amazônia, em 16 municípios de Mato Grosso, até setembro de 2029. Faz parte da iniciativa Amazônia na Escola e liga duas pontas: ajudar a agricultura familiar, indígena e quilombola a produzir, e comprar essa comida para a alimentação escolar da rede pública. O CTA responde por Porto Esperidião, Vila Bela da Santíssima Trindade, Mirassol d'Oeste, Poconé e Nossa Senhora do Livramento, onde fica o Quilombo Mata Cavalo. Junto às Diretorias Regionais de Educação, atende ainda Pontes e Lacerda e Comodoro, alcançando as Terras Indígenas Pirineus de Souza, Vale do Guaporé e Nambikwara. O Terra Nutre fecha um ciclo de 35 anos. A comida que as famílias aprenderam a plantar sem veneno chega no prato da criança na escola. 35 CA PÍTULO 08 · PROJETOS EM CA MPO 35
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CAPÍTULO 09 A ESCOLA VAI AO CENTRO DE FORMAÇÃO Criançada plantando no centro de formação, aprendendo de onde vem a comida. O CTA nasceu para formar gente, e nos últimos anos chegou nas crianças. Escola, aluno e professor vêm até o centro para ver de perto a horta, a agrofloresta e o viveiro de mudas, e para conversar sobre comer bem. Muita criança descobre ali de onde vem a comida que chega em casa. O estatuto do CTA prevê, desde 1992, cursos de educação no campo para filhos e filhas de agricultores familiares da região. 35 CA PÍTULO 09 · A S NOV A S GERA ÇÕES 36
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CONSCIÊNCIAAGROECOLÓGICA CUIDAR HOJE PARA TER AMANHÃ A semente nativa na mão e a água guardada no terreno. Agroecologia não é só técnica de plantio. É um jeito de olhar o lugar onde a gente vive. Quem entra nesse caminho repara na mata que segura a nascente, na abelha que precisa de flor o ano todo e na terra que responde quando é bem tratada. Isso não se aprende só em cartilha. Aprende fazendo: no dia de campo, na conversa dentro do lote e no resultado que a família vê com os próprios olhos. "Assumiu um compromisso pessoal e coletivo de investir sua vida produtiva na construção de um modo de conviver cuidadosamente com todos os seres vivos da casa comum que é o planeta Terra." JOÃO IVO PUHL · ESTUD O D OS 35 ANOS, 2026 É esse cuidado que precisa continuar. Com a mata, com a água, com a semente e com quem vem depois. 35 CA PÍTULO 10 · CONSCIÊNCIA A GROECOLÓGICA 37
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CAPÍTULO 11 QUEM VAI CONTINUAR Depois de trinta e cinco anos, a pergunta mais difícil não é de técnica. É simples e dura: quando o pai e a mãe cansarem, quem vai tocar o lote? Cada vez menos jovem quer ficar. Muitos saem para estudar ou trabalhar na cidade e não voltam. Isso não se resolve com discurso. Se a roça não dá dinheiro, não segura ninguém. Por isso a venda, a agroindústria e a compra pública não são assunto separado da juventude. São o que faz dar para ficar. A outra metade é a formação. O estatuto já previa, desde 1992, curso de educação no campo para os filhos dos agricultores. A visita de escola, o dia de campo e o mutirão são o começo desse caminho. "A proposta de construir uma ecologia de saberes dentro da sociobiodiversidade, tratando a formação e a transformação como bases da sobrevivência." MIRIÃ PERES SPIND ULAS · PPGED U/UNEMAT Oficina de restauração florestal. 35 CA PÍTULO 11 · QUEM V A I CONTINUA R 38
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CAPÍTULO 11 A CULTURA DO CAMPO SE APRENDE FAZENDO João Ivo Puhl escreveu para esta cartilha sobre a juventude e a sucessão na roça. Os trechos abaixo são palavras dele. "A cultura camponesa se aprende ao fazer agricultura. Assim as crianças e jovens aprendem acompanhando os pais nos trabalhos de cuidado na casa, no quintal, na horta, na roça, na pastagem ou na mata, fazendo as mesmas atividades." "Nos projetos demonstrativos do CTA chegou-se à conclusão de que os projetos onde as mulheres eram protagonistas obtiveram mais resultados positivos pelos cuidados cotidianos sistemáticos que elas fazem." "Quando uma geração camponesa envelhece a outra já foi preparada na família para sucedê-la. Porém, muitas vezes, hoje se rompem as relações familiares no campo e os jovens por múltiplas razões não fazem mais a sucessão dos seus pais na agricultura." "Já virou slogan: sem mulheres e jovens no campo, não há agroecologia." JOÃO IVO PUHL · D EPOIMENTO ESCRITO AO CTA, 2026 35 CA PÍTULO 11 · QUEM V A I CONTINUA R 39
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CAPÍTULO 12 VOZES DOS 35 ANOS Esta história tem nome e sobrenome. Aqui estão algumas das pessoas que ajudaram a levantar o CTA e a manter de pé. SÁGUIO MOREIRA SANTOS Sócio-fundador do CTA e presidente da Coopervales. Sua história liga as duas pontas: a fundação, em 1992, e a comercialização de hoje. JOÃO IVO PUHL Historiador, professor aposentado da UNEMAT, ex-integrante da FASE-MT e sócio-fundador da associação. Autor do estudo que embasa a cartilha. VILMON ALVES FERREIRA Fez parte do coletivo da ASCCMT de 1984 a 1986, nas conversas com a Diocese de Cáceres e a paróquia de Pontes e Lacerda que prepararam o programa de educação popular da FASE-MT, iniciado em janeiro de 1987. Participou da construção e da fundação do CTA, do qual hoje é presidente. MURILO PINTO DA SILVA E M M E M Ó R IA Fez parte do coletivo da ASCCMT de 1984 a 1986. Coordenou a implantação do programa de educação popular da FASE-MT no Vale do Guaporé e a FASE-MT de 1987 a 1990. Grande incentivador da criação do CTA, ajudou a negociar a compra do sítio em 1988. CARMELA PEZZUTI E M M E M Ó R IA Mãe de Murilo. Fez parte do coletivo da ASCCMT em 1986 e da primeira equipe da FASE-MT como educadora popular, de 1987 a 1990. 35 CA PÍTULO 12 · V OZES DOS 3 5 A NOS 40
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CAPÍTULO 12 VOZES DOS 35 ANOS CLÁUDIA MARIA CALÓRIO Fez parte do coletivo da ASCCMT de 1985 a 1986 e ajudou na implantação do programa da FASE Mato Grosso no Vale do Guaporé, em 1986 e 1987. Integrou a primeira equipe da FASE-MT como educadora popular. VICENTE JOSÉ PUHL Educador popular da equipe da FASE-MT desde 1988. Guarda a memória das origens e do pensamento coletivo que construiu o CTA. LEONEL WOHLFAHRT Equipe técnica da FASE-MT que conduziu o trabalho nos primeiros anos. FÁTIMA APARECIDA GARCIA DE MOURA Coordenou a primeira equipe técnica do CTA, que começou a implantar os sistemas agroflorestais na região a partir de 1993. JAMES FRANK CABRAL Fez parte da equipe técnica do CTA de 1997 a 2000, com a missão da ATER agroecológica no Vale do Guaporé. FAMÍLIAS PIONEIRAS Francisco Alexandre dos Santos (Diá) e Luzia Rezende, Manoel Miguel, João Paiva e Leontina, Manoel Prado e Maria de Lourdes, Joaquim e Maria Valdeci, e outras que fizeram os primeiros SAFs. Na construção do centro também estiveram técnicos da FASE- MT e professores de agronomia da UFMT: Maria Cristina Urnau, Bela Wohlfahrt, Devaina Leite Mendes, William César Sampaio, Rodrigo Aleixo e Carlos Castro. 35 CA PÍTULO 12 · V OZES DOS 3 5 A NOS 41
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CAPÍTULO 13 NADA FOI FEITO SOZINHO Seminário e encontro foram construindo, ano após ano, a rede que segura o trabalho. A história do CTA é trabalho de muita gente junta. Ao lado das comunidades, associações, cooperativas, grupos de mulheres, povos indígenas e quilombolas, o CTA somou força com instituições que ajudaram a chegar mais longe. FASE · MOVIMENTO DE UNIÃO DOS LAVRADORES · GIAS · PÃO PARA O MUNDO · REDE CERRADO · UNEMAT · UFMT · FORMAD · REM MATO GROSSO · FUNDO AMAZÔNIA · FUNBIO · HEKS/EPER · MISEREOR · ICV · ISA · CENTRAL DO CERRADO · ROTA CAMINHOS DA AGROECOLOGIA As marcas de cada parceiro e financiador estão na página seguinte. 35 CA PÍTULO 13 · MUITA S MÃ OS 42
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CAPÍTULO 13 QUEM BANCA E QUEM CAMINHA JUNTO Nenhum projeto do CTA se pagou sozinho. Cada curso, cada muda, cada caminhão de feira teve alguém financiando, e teve universidade, governo e rede do lado. Esta página é a prestação de contas mais simples que existe: dizer os nomes. APOIOEFINANCIAMENTO GOVERNOEPOLÍTICASPÚBLICAS UNIVERSIDADES,PESQUISAEREDES PROJETOSEORGANIZAÇÕESDAREDE Fonte: CTA, página de parceiros do site institucional, 2026. As marcas pertencem a cada instituição e aparecem aqui em reconhecimento à parceria. 35 CA PÍTULO 13 · MUITA S MÃ OS 43
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EMMEMÓRIA QUEM PLANTOU E NÃO VIU A SOMBRA Muita gente que ajudou a levantar o CTA não está mais aqui. Subiram parede, abriram estrada, cederam o lote para a primeira experiência, foram na reunião debaixo de chuva e assinaram a ata quando a associação nasceu. Nenhuma delas viu o pequizeiro que plantou dar fruto no tamanho de hoje. O CTA existe porque elas ficaram. SÓCIOSDOCTA ELIEL PEREIRA DE MELO JOÃO ANANIAS PAIVA JOSÉ FERREIRA DOS SANTOS MITIO KAKU SEBASTIÃO RODRIGUES DE LIMA E a todas e todos que ajudaram a construir o CTA e já partiram. 35 EM MEMÓRIA 44
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P ARA FECHAR O QUE VEM PELA FRENTE Os problemas que fizeram o CTA nascer continuam de pé, só que com outra cara. A seca aperta mais a cada ano e bagunça a época de plantar. A pressão em cima da mata e da água aumenta. O jovem sai do campo e fica a dúvida de quem vai tocar o lote. Ao mesmo tempo abriu caminho onde antes não tinha: a compra de comida pelo poder público, a recuperação de área gasta e a agroecologia aceita como resposta para o clima. Levar isso para os jovens é o trabalho dos próximos anos. Trinta e cinco anos depois, a tarefa é a mesma que juntou as primeiras famílias: dar condição para quem quer ficar na terra. 35 O QUE V EM PELA FRENTE 45
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FONTES DE ONDE VEM O QUE ESTÁ ESCRITO AQUI Estudos, documentos e depoimentos que deram base a esta cartilha. ESTUDO HISTÓR IC O PUHL, João Ivo. Transição agroecológica no sudoeste de Mato Grosso nos 35 anos de ação do CTA. Pontes e Lacerda, 2026. HISTÓR IA DA F ASE E DO MUL ZART, Laudemir Luiz; SANTOS, Josivaldo Constantino dos (org.). Educação e Sócio- Economia Solidária. Série Sociedade Solidária, v. 2. Cáceres: Editora Unemat, 2006. · FASE, Mato Grosso comemora 50 anos da FASE, fase.org.br. C ADER NOS AGR OEC OL ÓGIC OS MUL. PDAF-VG: plano de desenvolvimento da agricultura familiar no Vale do Guaporé, MT, 1999 a 2002. Cadernos Agroecológicos, nº 1. Texto de João Ivo Puhl. Assessoria FASE-MT. Apoio Misereor e Pão para o Mundo. EDUC AÇ ÃO POPUL AR SPINDULAS, Miriã Peres; ZART, Laudemir Luiz; SILVA, Lucas Mateus F. Materiais formativos problematizadores do Centro de Tecnologia Alternativa. PPGEdu, UNEMAT, 2023 e 2024. C OMER C IAL IZAÇ ÃO ZART, Laudemir Luiz; SPINDULAS, Miriã Peres; LEITE, Rosane Maria Rup; SANTOS, Ságuio Moreira. Comercialização solidária: complexo organizacional do Centro de Tecnologias Alternativas. Relato de experiência. Texto original no acervo do CTA, sem dados de publicação. DOC UMENTOS INSTITUC IONAIS Estatuto Social da Associação do CTA, fundada em 21 de maio de 1992. · Boletim Cacaio, Movimento de União dos Lavradores do Vale do Guaporé (MUL), 1989 a 1995. DEPOIMENTOS ESC R ITOS PUHL, João Ivo. Depoimento escrito ao CTA, 2026. · FERREIRA, Vilmon Alves. Depoimento escrito ao CTA, 2026. A R OTA E A C OMER C IAL IZAÇ ÃO ROTA CAMINHOS DA AGROECOLOGIA. Site oficial, atualizado em 30 de janeiro de 2025. · FASE Mato Grosso, Seminário destaca comercialização de produtos e preservação da Amazônia, 2024. · FUNDO AMAZÔNIA, Cadeias de Valor da Agricultura Familiar no Estado de Mato Grosso, executado pelo CTA, 2014 a 2023. DOC UMENTOS INTER NOS DO C TA Atuação do CTA: relatório de atividade realizada em 2016 e a realizar em 2017. · Relatório de monitoramento do Portal do Encantado, julho de 2025. · Diagnóstico da produção indígena do Terra Nutre, 2026. · Roteiro do documentário Nambikwara, julho de 2026. PR OJ ETOS E POL ÍTIC AS FUNDO AMAZÔNIA, Projeto Terra Nutre, 2025 a 2029. · Programa REM Mato Grosso, Semeando Nossos Biomas. · Lei 11.947/2009 e Lei 15.226/2025, que elevou para 45% a compra da agricultura familiar no PNAE. F OTOGR AF IAS Acervo do CTA. Históricas de 1992 a 1994: álbum do site antigo. Feira (pg 5, 21, 25, 26 e 35): feira da ARPA no Assentamento Roseli Nunes, 11 de setembro de 2026, Comunicação do CTA. 35 FONTES 46
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FICHATÉCNICA QUEM FEZ ESTA CARTILHA R E ALIZ AÇ ÃO CTA · Centro de Tecnologia Alternativa do Vale do Guaporé D IR E TOR IA D O C TA Vilmon Alves Ferreira, presidente · Miriã Peres Spindulas, secretária · Ronaldo Adriano Faria, tesoureiro REDAÇÃO João Ivo Puhl · Miriã Peres Spindulas OR G ANIZ AÇ ÃO, PE S QU IS A E E D IÇ ÃO Vilmon Alves Ferreira (Diretoria) e Setor de Comunicação do CTA (Gabriel Spindulas Ferreira) D E POIM E NTOS João Ivo Puhl · Vilmon Alves Ferreira PR OJ E TO G R ÁF IC O E D IAG R AM AÇ ÃO Setor de Comunicação do CTA F OTOG R AF IA Acervo do Centro de Tecnologia Alternativa. As imagens do capítulo 07 foram feitas nas aldeias com autorização das lideranças, e o material bruto foi devolvido às comunidades. C OM O C ITAR CENTRO DE TECNOLOGIA ALTERNATIVA DO VALE DO GUAPORÉ. Semear e Permanecer: 35 anos do CTA, 1991 a 2026. Redação de João Ivo Puhl e Miriã Peres Spindulas. Pontes e Lacerda: CTA, 2026. 35 FICHA TÉCNICA 47
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PARAFECHAR DE ONDE VIEMOS, O QUE FICA Da primeira muda no viveiro até a comida que chega na escola, esta é a história de quem escolheu ficar e plantar. O Vale do Guaporé colhe o que essa gente semeou. A HIS TÓR IA E M QU ATR O TE M POS Origens, 1985 a 1992 · Consolidação, 1992 a 2014 · Território, 2015 a 2025 · Um olhar para a frente, 2026 F ONTE PR INC IPAL João Ivo Puhl. Transição agroecológica no sudoeste de Mato Grosso nos 35 anos de ação do CTA. Pontes e Lacerda, 2026. C ONTATO ctamt@ctamt.org.br · BR-174b, Km 05, Comunidade do Cataco, Pontes e Lacerda, Mato Grosso. 1991 · 2026 Centro de Tecnologia Alternativa do Vale do Guaporé

Sumário

Antes de começar

Os capítulos

Para fechar

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